Por que Crossfit é o esporte mais viciante de todos os tempos?

Uma análise motivacional de um dos esportes que mais arrebanha seguidores no mundo, o Crossfit.

Por César Domingos, Designer de Gamificação da Ekoá


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Oi,

Meu nome é César.

Sou designer de gamificações na Ekoá.

E não pratico Crossfit há 5 horas.

Brincadeiras à parte, nesse texto eu vou explicar para você por que eu acredito que o Crossfit é o esporte mais viciante de todos os tempos. Essa afirmação é ousada, mas vou te explicar o motivo dessa crença.

Sou formado em Design pela Universidade de Brasília e trabalho desenvolvendo jogos e gamificações há mais de dois anos na Ekoá. Hoje vou fazer uma análise motivacional do esporte que mais cresce nos últimos tempos: o Crossfit.

Com certeza você conhece alguém que faz ou já fez Crossfit. Aquela pessoa que quando chega na roda de amigos, você já pensa: Ih, lá vem o ser humano que vai se pendurar na primeira barra que encontrar na rua.

No meu caso. Eu sou esse cara. Eu sempre fui uma pessoa apaixonada por esportes. Comecei a andar de skate aos dez anos de idade e não parei até chegar no TCC. Quando me deparei com a vida adulta entrei em um loop de sedentarismo até que fui convencido a fazer uma aula experimental de Crossfit.

Um amigo próximo havia ido morar no Rio de Janeiro com mais de 100 Kg e depois de 1 ano voltou para Brasília, onde moro, parecendo o Capitão América. Ele passou a dar aula em uma das primeiras boxes (o nome que a seita usa para as academias de crossfit) da cidade. E foi aí que eu tive meu primeiro encontro com o esporte.

O primeiro contato foi interessante. Foi completamente diferente da academia tradicional: o levantamento de peso olímpico, os equipamentos de endurance, as barras e argolas de ginástica. Antes de continuar, eu quero fazer um disclaimer: durante o texto vou falar sobre o Crossfit, mas acredito que todas as modalidades de cross training também se encaixam na análise. Vou usar o nome “Crossfit” unicamente por ser mais fácil de entender e por ser o nome que chamamos no local em que eu pratico.

Continuando, a maior diferença para tudo que eu já tinha visto foi a dinâmica dos treinos. O WOD (Workout of the Day) é o treino do dia e é composto por vários exercícios exigentes que seguem uma estrutura específica.

Os AMRAPs são treinos em que você precisa realizar o maior número de repetições em um determinado tempo. Os METCONs são treinos em que você precisa realizar um conjunto de movimentos o mais rápido possível. E há várias outras dinâmicas possíveis. O mais legal? Todos os dias os treinos mudam. Quase nunca haverá um treino repetido no Crossfit.

A presença dos dois amigos – um dando as aulas o outro acordando cedo comigo para treinarmos juntos – geraram em mim o compromisso necessário para acordar cedo um mês inteiro para treinar antes de ir para o trabalho. Esse foi o tempo necessário para que eu superasse a dor nas palmas das mãos e nos músculos e começasse a apreciar os ganhos.

Me apaixonei rapidamente pelo sentimento de superação e comecei a entender as frases genéricas de instagram. Todo dia eu tinha uma meta clara para superar e o único adversário era minha própria capacidade. A falta de fôlego, o desconforto extremo e o suor derramado eram as pedras no caminho para que eu me tornasse uma pessoa mais saudável, forte e bem condicionada.

Fui instruído pelos donos da Box a instalar um aplicativo no celular para fazer check in nas aulas e utilizá-lo para registrar meus recordes pessoais. Os registros tornaram tangível o meu progresso e eu podia comparar meus recordes pessoais com os meus próprios ao longo do tempo e com os dos outros atletas.

Imagem 1. Progressão de recordes pessoais do Levantamento Terra (Deadlift) durante 6 meses.

Com o tempo algumas coisas mudaram. Um dos meus amigos passou a dar aula em outro lugar e o outro mudou o horário do trabalho e não conseguia ir sempre nos mesmos horários. E eu continuei. Sozinho. Nesse momento eu percebi que meu compromisso não dependia mais deles. A motivação era intrínseca. Agora a coisa ficou séria.

Um dia depois de um treino eu estava conversando com um dos treinadores sobre o quanto o esporte tem crescido na cidade e trazido pessoas para um estilo de vida mais saudável.

Para fazer esse texto fui atrás de alguns dados e descobri que o Crossfit nasceu em 2001 na Califórnia. E desde que surgiu passou por um crescimento muito grande, havendo atualmente a soma de mais de 15 mil afiliadas em 162 países.

A CrossFit Inc é não só a maior rede fitness do mundo, mas também uma das mais crescentes cadeias corporativas do planeta. Uma pesquisa do portal Morning Chalk Up (2018) coloca a Crossfit com um número de afiliados maior que a rede Domino’s Pizza que existe desde 1957.

Além disso o mercado em volta do Crossfit movimenta US$ 4 bilhões ao ano segundo uma estimativa da revista Forbes (2015) e as últimas medições divulgadas pela CrossFit Inc aponta uma quantidade de praticantes estimada em 4 milhões de pessoas.

Enquanto eu conversava com meu treinador, eu tentava descobrir porque tanta gente gostava do esporte mesmo existindo tantas outras opções: natação, escalada, academia, etc… Foi aí que eu percebi que o Crossfit tem uma coisa que as outras modalidades não têm. Pelo menos não de forma individual. O Crossfit é gamificado.

Com isso em mente eu comecei a elencar quais são as técnicas de jogos que o Crossfit usa que o tornam tão viciante. E sem perceber eu estava fazendo uma análise motivacional do esporte usando a metodologia Octalysis (Yu-kai Chou, 2015). Então decidi fazer isso formalmente por meio deste texto. Vamos lá?

Imagem 2. Diagrama Octalysis com os 8 drives motivadores (Yu-kai Chou, 2015).

É importante dizer que o Octalysis é uma metodologia que permite o entendimento de como os seres humanos se motivam, e como usar técnicas de jogos para construir soluções gamificadas.

O Octalysis parte de 8 drives motivadores do ser humano. De forma resumida:

1) Significado épico é o drive que nos motiva a nos conectarmos à causas que fazem sentido para a nossa existência, e que têm impacto para a sociedade.

2) Empoderamento da criatividade é o drive que nos motiva a continuar desempenhando uma atividade porque temos a liberdade de criar e recebemos feedbacks para cada ação do processo.

3) Influência social é o drive que nos motiva a participarmos de um contexto ou ambiente porque queremos fazer parte de um grupo ou  impactar as pessoas ao nosso redor. 

4) Curiosidade é o drive que nos motiva a seguir em frente em uma tomada de decisão porque nos sentimos compelidos a descobrir o que está por vir.

5) Medo é o drive que nos motiva a fazer ou deixar de fazer alguma coisa porque queremos evitar que algo ruim aconteça.

6) Escassez é o drive que nos motiva a apressadamente realizar uma atividade porque há um tempo limitado ou porque a recompensa daquela atividade é limitada para poucas pessoas.

7) Sentimento de dono é o drive que nos motiva a cuidar daquilo que nos pertence e agir em prol da melhoria dos nossos bens, sejam eles tangíveis ou intangíveis.

8) Realização é o drive que nos motiva a superar desafios porque queremos ganhar recompensas e desejamos progredir em uma jornada.

Na Ekoá nós utilizamos essa e outras metodologias para desenvolver os processos gamificados para nossos clientes, seja no âmbito de eventos para empresas, aplicativos ou para cursos presenciais de desenvolvimento pessoal.

Para a análise eu elenquei as técnicas que eu consegui identificar por drive motivador. Observe que apesar de o Crossfit ser parecido ao redor do mundo, cada box tem sua cultura e processos. Portanto, a análise é a partir do meu próprio contexto que tem suas devidas peculiaridades.

O resultado foi o seguinte:

Imagem 3. As 13 técnicas de jogos provenientes da análise distribuídas pelos motivadores do Octalysis.

Significado épico

  1. Propósito

Greg Glassman, o criador do Crossfit gosta de comparar o esporte com um bote salva-vidas. Os náufragos dessa história, seguindo a analogia, somos todos nós, que deveríamos prestar mais atenção na forma como cuidamos da nossa saúde.

Talvez esse seja o motivador mais poderoso de qualquer esporte. Porque não é sobre a tentativa do esporte de salvar o mundo, mas a sua tentativa de salvar a própria vida.

  1. Elitismo

Uma percepção que eu tive quando comecei a praticar o esporte, foi que o crossfit te faz se sentir meio superman. Greg Glassman também gosta de dizer que o Crossfit reúne o monopólio de pessoas mais bem condicionadas do planeta. Sendo verdade ou não, o sentimento de fazer parte de um grupo de atletas de alto rendimento te coloca em uma posição de elitismo em relação ao restante da sociedade.

Empoderamento da criatividade

  1. Autonomia

Todos os treinos são diferentes e isso já reforça o motivador da criatividade, mas o que é mais importante é que cada atleta tem sua própria estratégia. Você tem autonomia para testar suas estratégias baseado no seu próprio corpo e mente.

Se vai desacelerar no início para manter um bom ritmo. Se vai acelerar no início, descansar no meio e acelerar novamente no final. Se vai tentar dividir o número de repetições por minuto… Cada pessoa tem sua estratégia. E cada treino requer uma estratégia diferente. Cada treino requer autoconhecimento, resiliência e criatividade.

Influência social

  1. Senso de comunidade

A formação de grupos por afinidade é algo inerente ao traço social do ser humano. Quando todos da aula já acabaram o treino e começam a torcer para que você consiga terminar antes do tempo. Ou quando todos param para ver a sua tentativa de superar um recorde pessoal. São coisas como essas que reforçam o senso de comunidade.

  1. Recordes Pessoais ficam visíveis no App

A competitividade saudável entre os atletas faz com que todos progridam em conjunto. Essa competitividade acontece de forma informal e direta durante o dia-a-dia da Box, mas acontece de forma mais direta por meio do aplicativo que serve como uma vitrine dos seus recordes e desempenho.

  1. Mentoria

A presença de um treinador disposto a instruir e adaptar o aprendizado para você é um forte motivador. Existe o fator humano de querer receber reconhecimento positivo do mentor e há o fator de aprendizagem, pois ter alguém para dizer o que você precisa fazer diminui a sensação de ansiedade.

Curiosidade

  1. Imprevisibilidade dos WODs.

Todo dia tem um treino diferente. Isso causa a sensação de curiosidade aos praticantes, parecido com a sensação trazida pelas máquinas caça-níquel. Você quer saber qual será o treino do dia e ao chegar lá pode ser recompensado com movimentos que você gosta ou “penalizado” com aqueles movimentos menos amados – tipo burpees e thrusters

  1. Antecipação (Spoiler): Os WODs são liberados à meia-noite no app. 

Associado com a Imprevisibilidade dos WODs há uma mecânica poderosíssima: spoilers. No aplicativo há os treinos do dia, então a pessoa não precisa esperar chegar na Box para descobrir o que vai fazer. Isso ajuda a pessoa à se preparar e levar roupas e equipamentos apropriados: corda, tênis de corrida, munhequeira, etc…

Acontece que sempre à meia-noite o aplicativo atualiza automaticamente para o treino do dia. E eu me peguei muitas vezes indo me deitar depois da meia-noite e olhando qual seria o WOD para então fechar os olhos e dormir. Tranquilo. Como se isso me desse um controle maior sobre a minha própria vida.

Medo

  1. Punição por atraso: Burpees ou ter que aguardar a próxima aula.

As aulas acontecem de hora em hora. Não é possível chegar no meio de um horário porque vai atrapalhar a aula em andamento. Entretanto atrasos acontecem, e os alunos podem entrar seguindo uma tolerância de até 15 minutos.

Para evitar que os atrasos aconteçam, os treinadores criaram um método punitivo que acabou virando cultura. Se você atrasa – mesmo dentro dos 15 minutos – precisa pagar burpees. Burpee é um dos movimentos menos amados do Crossfit, porque é um movimento aeróbico, repetitivo e que ativa muitas partes do corpo.

Os burpees acabaram se tornando um modelador de comportamento para o que a instituição não quer que aconteça: não pode entrar no banheiro dos funcionários, não pode esquecer de guardar os equipamentos, etc… Se fizer. Paga burpee.

Escassez

  1. Timecap

Cada WOD tem um timecap, um tempo limite, para a execução. Esse tempo limite é uma das principais técnicas que dão corpo à meta. Nos METCONs, se você não terminar a tempo você não conseguiu finalizar aquele treino. Nos AMRAPs o tempo dá a urgência necessária para que você consiga fazer o máximo de repetições possível.

  1. Dinâmica de compromisso

O aplicativo possibilita a realização de check-in a cada aula. O check-in serve como uma lista de presença, mas também cria o compromisso necessário para que as pessoas estejam presentes nas aulas. Uma vez que você sinaliza no aplicativo que estará presente, você está realizando uma ação de compromisso. Essa mecânica é tão forte que uma vez um atleta fez check-in um pouco depois da meia-noite para a aula que ele iria fazer somente às 10 horas.

Sentimento de dono

  1. Set de Coleção (PRs)

Essa é uma mecânica mais específico do uso do aplicativo. Nos jogos de RPG (Roleplaying Game) é comum o jogador colecionar itens adquiridos durante as aventuras. A analogia que eu encontrei para os Sets de Coleção é que você consegue gravar seus recordes pessoais de praticamente todos os movimentos no app, formando o seu acervo de recordes.

Isso faz com que você queira gravar e bater o máximo de PRs possível para colocar no app. Até para conhecer sua própria capacidade em cada sub-modalidade e em cada movimento. No fim das contas você se sente dono do seu próprio corpo em constante mudança e quer acumular mais progresso, mais força ou mais perda de peso.

Progresso

  1. Metas

O Crossfit é completamente pautado nas metas claras. Todo o resto orbita em torno dos objetivos que são: específicos, mensuráveis, atingíveis, relevantes e temporais. Ou seja. São exemplos perfeitos das Metas SMART.

Terminar o WOD dentro do timecap de 12 minutos. Conseguir fazer 5 séries dentro do tempo estipulado. Melhorar meu tempo em um benchmark (WODs padronizados) de 9 minutos para 8 minutos. Aumentar meu Recorde Pessoal de 155 libras para 160 libras. Por aí vai…

  1. Progresso Mapeado

O aplicativo te dá um histórico da sua própria evolução, como você pode ver na Imagem 1 lá em cima. O histórico é incrível porque demonstra os marcos da jornada da sua evolução. Te dá controle sobre seu próprio progresso e joga na sua cara que você está melhorando aos poucos .

  1. Status e Ranking (Rei do Wod)

O rankeamento não é formalizado no local em que eu faço Crossfit. Tenho conhecimento de que em outros lugares todos os alunos são rankeados diariamente. Mas onde eu pratico os treinadores colocam no quadro apenas os nomes dos atletas que desempenharam os 3 melhores resultados. E ao final do dia, apagam para que o processo recomece no dia seguinte.

Informalmente o primeiro colocado do dia é chamado de “Rei do Wod”. Um status passageiro, mas que premia os melhores atletas por sua performance.

    

  1. Níveis de dificuldade

Naturalmente há alunos recém-chegados e praticantes experientes que treinam juntos. Para resolver esse problema há níveis de dificuldade que permitem que alunos diferentes façam os exercícios no mesmo horário.

Essa mecânica resolve o problema dos níveis de maturidade técnica e física, mas também cria uma jornada onde o atleta evolui para treinos mais difíceis conforme desempenha resultados melhores e ganha qualidade técnica.

Os treinos RX são para quem acabou de começar. Os treinos RX+ são para quem consegue se desafiar mais. Os treinos Performance reúnem técnicas mais complicadas e possuem um programa de evolução próprio para quem já treina há algum tempo.

Com os níveis de dificuldade vêm, claro, mais status. Há um sentimento de superioridade indireto causado pela hierarquia de quem faz os treinos mais difíceis se comparado à quem acabou de começar. Isso acontece em qualquer lugar. Mas no Crossfit, é trabalhado como uma mecânica que te faz querer avançar e desbloquear um novo marco.

Entrega da promessa: Por que o crossfit é o esporte mais viciante de todos os tempos.

Concluindo. Para pessoas competitivas há estímulos de realização e influência social. Para pessoas introvertidas há momentos de introspecção, concentração e progresso individual. Para pessoas que buscam saúde, há propósito e uma comunidade unida para fazer parte. Para quem busca estética, o resultado do seu trabalho duro será lindo.

O Crossfit é um esporte que estimula todos os drives motivadores fazendo uso de várias técnicas e mecânicas de jogos para engajar seus praticantes pelos mais diversos estímulos. E o mais importante: o atleta está sempre no Estado de Flow.

A Teoria do Flow ou Fluxo foi formulada por Mihalyi Csiksentmihalyi em 1990, e descreve uma sensação que representa o estado de realização do indivíduo ao desempenhar atividades recompensadoras. O Estado de Flow possui um conjunto de características, como: foco e concentração; sensação de êxtase, clareza e feedback, habilidade, sensação de serenidade, perda de sensação de tempo e motivação intrínseca.

Conforme ilustrado acima, as dimensões analisadas são os Desafios de um contexto e as Habilidades do indivíduo. No ponto inicial (A1), o indivíduo está em estado de conforto, nesse momento provavelmente está em Estado de Flow.

Conforme o indivíduo desenvolve sua técnica, o nível de habilidade aumenta e a atividade passa a não apresentar mais tanto desafio. Isso coloca o indivíduo estado de tédio (A2).

Quando um novo desafio é proposto, o indivíduo se depara com uma dificuldade maior daquela com que estava acostumado e passa a um estado de ansiedade (A3).

Ao se esforçar para superar o novo desafio há um processo de descoberta sobre si mesmo e aprendizagem. Nesse momento o indivíduo volta a se encontrar em Estado de Flow novamente (A4).

Segundo Mihalyi, o Flow é o momento abstrato de equilíbrio entre a ansiedade e o tédio. O prazer da descoberta cresce junto com o aumento da dificuldade e do desenvolvimento do indivíduo, promovendo maior complexidade e evolução. O Crossfit está o tempo todo te desafiando e te colocando em situações de desenvolvimento de habilidades, portanto, em um estado de flow contínuo.

Fiz esse texto para apresentar para as pessoas a análise que eu fiz enquanto tentava compreender porque fiquei tão engajado pelo esporte. Me apaixonei profundamente e considero sim que salvei minha própria vida. Salvei minha vida do sedentarismo e da rotina estressante e nociva para minha saúde. As preocupações de trabalho, a ansiedade das entregas chegando, a pressão sobre a qualidade dos jobs… Tudo some durante uma hora. Enquanto estou em Estado de Flow.