JOGAMOS o Dixit!

Estamos lançando hoje uma nova coluna no nosso blog, é a JOGAMOS! Nós reunimos os participantes do nosso grupo de estudos para jogar uma partida de algum jogo e depois dessa partida damos início à uma roda de conversa para analisar o jogo quanto à mecânicas, dinâmicas e componentes que se destacaram, seja para o lado positivo quanto negativo.

Pra abrir essa coluna temos o Dixit! Um jogo incrível que tivemos o prazer de jogar na ludoteca. O texto foi escrito por André Tenório, Designer na Ekoá – Jogos e Gamificação, e a análise do jogo foi realizada por César Domingos, Ludmilla Macedo, Matheus Gonzaga e Rodrigo Narcizo


Na última semana de 2019 um dos jogos que experimentamos no grupo de estudos foi o Dixit, um jogo casual, bastante divertido e que requer uma boa dose de criatividade. Após cada partida traçamos alguns pontos relevantes tendo como base 3 aspectos do jogo, as dinâmicas, mecânicas e componentes, assim pudemos entender melhor o que deixava o Dixit tão cativante e então relacionar nossa análise com a gamificação. O jogo de tabuleiro foi lançado originalmente pela editora francesa Libellud em 2008 e adaptado para o Brasil pela Galápagos jogos.

Dixit funciona da seguinte maneira, de acordo com o site Ludopedia: Na vez de cada jogador, o jogador escolhe uma de suas 6 cartas na mão e dá uma dica sobre a arte da mesma, pode ser uma palavra, frase, mímica, cantar (ou cantarolar) uma música, após isso o jogador separa esta carta virada para baixo.

Os outros jogadores olham na própria mão e dentre suas 6 cartas escolhem uma que melhor se encaixar naquela dica, separando junto com a carta do jogador da vez, também com a face para baixo.

As cartas são embaralhadas e reveladas, os outros jogadores devem descobrir qual a carta do jogador da vez, e por meio de votação, pontos são distribuídos. Dependendo se todos acertarem, nenhum acertar, ou alguma condição intermediária a isso. O jogador da vez busca justamente a condição que alguém erre e alguém acerte.

O jogador que primeiro atingir 30 pontos vence.

ANÁLISE

É interessante perceber que Dixit comporta dois perfis de jogador ao menos, alguns podem jogá-lo de forma competitiva, onde o foco principal se volta para a progressão no tabuleiro e a acumulação de pontos, o que influencia a escolha de estratégias utilizadas pelo jogador utiliza para acumular os tais pontos. Mas alguns jogadores, como foi o nosso caso no grupo de estudos, jogam pela pura expressão da criatividade, o que nos motiva é o próprio mistério de tentar descobrir qual é a carta certa e esperar que outros jogadores entendam nossa subjetividade na escolha das nossas cartas, neste caso a progressão se torna de certa forma um elemento secundário.

Essa dualidade do jogo é um ponto de interesse, vemos que podem haver diferentes motivações do jogador e isso têm impacto direto em outras dinâmicas de jogo e nas estratégias dos jogadores. Assim como no Ocatlysis de Yu-kai Chou, orientado aos processos de gamificação, cada um dos 8 motivadores no leva a diferentes mecânicas e consequentemente, a diferentes dinâmicas.

Em termos de mecânicas, muitas das presentes em Dixit são bem tradicionais em jogos, como as barras de progresso, pontuação, voto. Porém algumas outras mecânicas podem ser muito bem transpostas para processos de gamificação sem cair no clichê do que definimos por jogo.

A mecânica de “efeito oráculo” permeia o centro da jogabilidade de Dixit, essa mecânica indica que os jogadores devem tentar prever o que outros jogadores estão pensando. Para prever o pensamento de alguém é necessário, além da intuição, conhecer bem os outros jogadores, pois conhecendo-os fica mais fácil imaginar o que eles estavam pensando ao dar a dica sobre a carta correta. Refletindo sobre a aplicação do “efeito oráculo” em uma gamificação, ele poderia ser utilizado como uma forma de melhorar o trabalho em equipe e a liderança, uma vez que o líder de uma equipe deve conhecer bem a forma de pensar daqueles com quem trabalha.

Outra mecânica interessante é a de “Easter Egg”, um tipo de referência dentro de um jogo, a algo que não faz parte dele, pode ser um filme, outro jogo, uma música, etc. Mas no caso de Dixit isso ocorre de forma espontânea, ja que os designers do jogo não incluíram easter eggs nas cartas, mas a mecânica principal de dar dicas com base no visual dessas cartas evoca os easter eggs naturalmente, pois os jogadores precisam encontrar uma forma de fazer com que os outros reconheçam a sua dica e nada melhor do que uma referência da cultura pop para cumprir essa tarefa. Essa é uma ótima forma, dentro de uma gamificação, de fazer com que os participantes formem um vínculo com a atividade através da nostalgia, ou da memória, o easter egg pode motivar os participantes somente através desse vínculo.

Bom, Dixit tem mais uma infinidade de outras mecânicas super interessantes e poderíamos passar metade de um dia falando sobre elas, porém o intuito desse texto é apresentar um panorama geral do jogo e sua relação com a gamificação, ainda há muito o que ser explorado. Mas nos conte, você já jogou Dixit? Gostaria de ver alguma outra mecânica dele comentada? Tem outros jogos para indicar? Fique livre para colaborar nos comentários, ficaremos felizes em poder construir esse conhecimento em conjunto, basta entrar no nosso grupo de estudos no whatsapp.

Se você tem interesse em participar do grupo acesse o link abaixo, você será redirecionado diretamente para o whatsapp.

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2020-05-13T16:33:42-03:00