Gamificação na Educação à Distância: Tendência “Novo Normal”

Por Eduardo Aquino, estagiário de Marketing e criador de conteúdos na Ekoá – Jogos e Gamificação

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Desde meados de março enfrentamos a quarentena. Um “novo normal”. Foi um baque muito grande para todos os setores, mas um dos que mais sofreu com isso foi o setor da educação. Com esse processo de adaptação à essa nova realidade foram expostas inúmeras desigualdades e dificuldades que a área ainda enfrenta. Desigualdade em termos de acessibilidade ao ensino online, falta de preparo dos professores e instituições para lidar com esse modelo, plataformas e metodologias não funcionais, entre vários outros defeitos que a adequação ao ensino remoto e à distância mostram. Podíamos ficar o dia inteiro falando deles, mas o assunto central desse artigo é sobre os problemas de engajamento dos alunos e uma tendência que pode possivelmente ser uma solução para esse problema.

Se você é um estudante que está aprendendo no novo formato ou pai de um aluno que está tendo aulas online, você provavelmente já deve ter sentido na pele essa falta de motivação para estudar. O engajamento da maioria dos alunos beira à zero. A galera entra na aula e vai dormir ou fazer qualquer outra coisa mais interessante que assistir aquela aula monótona através da tela, só para ganhar presença. A maioria dos trabalhos são feitos só para ganhar pontos e a aprendizagem dos alunos é pautada para resolver aquele problema e cai no esquecimento logo em breve. As provas… bom, na prova é só abrir uma outra aba e procurar as respostas. Muitos estão considerando o ano letivo perdido e estão empurrando com a barriga apenas para passar, fazendo o mínimo do mínimo. Claro que há exceções e existem alunos aplicados que realmente estão tirando proveito do novo formato. Mas a regra geral e o padrão que se repete é esse.

Mas por que isso vem acontecendo? Bom, temos vários motivos por trás desse fenômeno. Falta de atribuição de significado às atividades, aulas monótonas através da tela, alunos na zona de maior conforto (em casa) e a falta de aplicação de metodologias centradas no aluno são algumas delas. Ter um bom conteúdo não é mais o suficiente. E isso não se limita só para as aulas online, esse fenômeno já se perpetua a anos no ensino presencial também.

E o que podemos fazer para superar isso e tornar os alunos mais envolvidos? Engajando. Parece óbvio e simples, mas sabemos que não é. Não existe uma fórmula para motivar e engajar os estudantes, mas existe uma metodologia tendência que vem sido testada e abordada há anos, uma metodologia que nós, da Ekoá, sempre acreditamos ser uma ótima solução para problemas de engajamento na educação: a gamificação. Claro que nem sempre todos vão se engajar e acatar a nova metodologia, mas a ciência de inserir elementos de jogos e atribuir significado às ações em processos chatos e desmotivadores, na maioria dos casos, se torna uma solução viável e muito efetiva.

Já falamos bastante de gamificação nas mais diversas áreas ao longo dos anos de existência da empresa, mais recentemente na educação. Agora, no contexto atual, vamos te mostrar o porquê da gamificação ser um grande aliado nesse novo normal.

Para quem não sabe, a gamificação é exatamente isso que já citei aqui: É inserir elementos de jogos em processos. Neste caso, no processo de aprendizagem. É atribuir significado às ações, trazendo ludicidade e divertimento na curva de aprendizagem. Muitos têm um preconceito quando escutam o nome gamificação: “Ah, mas é joguinho?”, “Escola é lugar de aprender e não ficar brincando.”, entre várias outras frases e questionamento que a gente escuta quando fala disso.

O que estas pessoas não sabem é dos resultados, mudança de comportamento, motivação e engajamento que a gamificação traz. Principalmente no ensino à distância. Por exemplo, você conhece o Khan Academy? O Khan Academy é uma LMS (Learning Management System) referência no mundo todo.Na página inicial do site você encontra um setor que traz a pergunta: “Por que a Khan Academy funciona?”. Eles já trazem a resposta no próprio setor, pautada em três elementos: aprendizagem personalizada, conteúdo confiável e ferramentas para a capacitação de professores. Mas se você parar para analisar, conteúdo confiável você acha facilmente hoje, principalmente na internet, com mil e um recursos gratuitos e confiáveis, o conhecimento está em toda parte, basta procurar. Ferramentas de capacitação para professores também é algo que se encontra por toda parte, até a auto capacitação é algo muito palpável com tanto acesso à informação, certo? O diferencial está no elemento que sobrou: aprendizagem personalizada. E essa personalização no processo de aprendizagem da plataforma, é justamente a gamificação.

Mas não se confunda, não é sobre dar pontinhos e passar de nível. É sobre fornecer um overview do que é para ser aprendido e liberdade de opção para o aluno de como alcançar as metas de aprendizagem. Além disso, propor uma visão clara de progressão durante o processo para atingir essa meta. Mas claro, usando de elementos de jogos para isso, como barra de progresso, avatar personalizado, medalhas e vários outros elementos que podem parecer “besteirinha”, mas que transformam completamente a experiência do aluno.

A motivação da galera normalmente se deve à uma motivação extrínseca (de fora para dentro). O uso de fatores como desafios, curiosidade, controle, competição e cooperação, geram uma motivação intrínseca, o mais eficaz dos motivadores pessoais. Utilizar a gamificação apropriadamente nas plataformas à distância, vai envolver todos esses fatores, consequentemente gerando essa motivação intrínseca, a fórmula secreta para o engajamento. Desde a criação do avatar e uma lojinha virtual para personalizá-lo, até desafios, conquistas e missões, recompensas, sistemas de pontuação e medalhas, tudo combina com o aprendizado digital e já acontece em algumas plataformas. E o melhor de tudo é que essa nova geração de alunos já é muito familiarizada com estes elementos. Uma das maiores distrações que tenho observado e até vivenciado como aluno, são os jogos online, seja no computador ou em um console, como o Playstation. Então, por que não pegar uma distração frequente e torná-la um motivador?

Expomos o problema de engajamento no ensino à distância, te falamos o que fazer para resolver, contextualizamos a importância da solução, mas faltou uma coisa só: como aplicar a gamificação no ensino à distância? Vamos responder essa pergunta agora, trazendo e explicando alguns desses elementos para você entender como ocorre essa aplicação.

Avatar personalizado: O avatar do usuário é a identificação dele na plataforma. Imagina um perfil completamente personalizável por forma, cor e que ainda evoluísse conforme as atividades vão sendo feitas e as metas sendo cumpridas? Crie uma experiência de usuário completamente única e personalizável para o seu aluno ou funcionário.

Desafios e Missões: Os desafios e missões são a base da plataforma. São atividades e estímulos à realização de atividades em troca de recompensas. Desafie seus alunos, os colocando como centro do processo de aprendizagem, deixando-os mais motivados à superarem suas dificuldades.

Recompensa e medalhas: Conforme os desafios e missões vão sendo feitos, uma série de recompensas e medalhas personalizadas podem ser premiados a que os realizam. Desenvolva uma forma de reconhecimento do esforço que ele teve e que dê um sentimento de conquista conforme eles vão progredindo.

Progressão: A plataforma precisa ter uma área destinada só para o usuário ter uma ideia claríssima de progressão em todas as áreas, cursos ou atividades. Sejam por sistemas de pontuação, de níveis ou uma simples barra de progresso, ter uma ideia a sua evolução é fundamental para te motivar a continuar. Deixe claro o caminho que percorrem para que o resto do caminho fique claro.

Feedback Instantâneo: É interessante a plataforma fornecer um feedback instantâneo de como a equipe foi depois das atividades, com mensagens personalizadas. Deixe eles saberem como ele estão indo, se estão bem, se precisam melhorar. Um simples “Parabéns!” por ter feito uma atividade é um fator motivacional importante para o usuário nesse processo todo.

Storytelling: Quando uma narrativa é criada para o processo de aprendizagem, tudo fica mais interessante aos olhos do aluno. Ele exercer uma função, um personagem dentro do processo de aprendizagem torna o processo mais leve e divertido. Criar essa estória, gera aquilo que comentei anteriormente, a atribuição de um significado épico às ações. Dá um sentido lúdico para as atividades, deixa as pessoas motivadas a fazerem parte da narrativa e não ficarem de fora do processo.

Esse novo normal, mudou muita coisa. Deixou o que era chato, mais chato. O que era desmotivador, “impossível” de ser feito. E até as coisas boas de irem para a escola ou faculdade, como encontrar os amigos, ter disponível um ambiente específico para a aprendizagem, aulas presenciais dinâmicas, foram deixadas de lado. E se o ensino à distância, despreparado e monótono do jeito que se encontra, permanecer assim, não vamos evoluir. Precisamos inovar, mudar. A gamificação pode não ser 100% efetiva, mas pode trazer resultado incríveis para sua sala de aula virtual. Mas, o mais importante, é que vai trazer de volta a sede de aprender!

“Assim como os pássaros, precisamos aprender a superar os desafios que nos são apresentados para alçar voos mais altos”. – Dirk Wolter

Fontes:

Khan Academy

A Ekoá Jogos e Gamificação tem como propósito elevar a realidade das empresas colocando as pessoas no centro da experiência.

Criamos experiências que fundem o mundo físico e o digital de forma a promover o engajamento e atingimento de objetivos corporativos.

 

 

 

 

2020-08-07T15:04:38-03:00